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UM NOVO CAPÍTULO

Magical agora é investida pela Shiva.

A Shiva, fundada por Lucas Marques, ex-COO do Méliuz, investe em empresas construídas com inteligência artificial. Uma visão que compartilhamos: transformar o potencial da IA em resultados reais para cada cliente.

Shiva

Venture capital
Fundada por Lucas Marques

POR TRÁS DA SHIVA

MonasheesEndeavor Catalyst

Fundos de referência que investem na Shiva.

Ler no Brazil Journal

Agentes de IA em grandes empresas: o que precisa estar pronto antes do primeiro piloto

O que uma grande empresa precisa definir antes do primeiro piloto de agentes de IA: fluxo, dados e acessos, integração, revisão humana e critério de sucesso.

Três caminhos de blocos convergem para um fluxo azul que atravessa um ponto de controle

O primeiro piloto precisa ajudar a decidir onde a empresa pode reduzir custos, ampliar capacidade ou proteger margem. Antes de escolher um agente, a diretoria precisa responder: agente para fazer o quê, com quais dados e sob qual controle? Quando essa resposta não existe, o piloto vira demonstração. Funciona na apresentação, mas não encontra o sistema certo, a pessoa responsável ou o critério que diria se vale a pena continuar.

Este texto é um checklist para quem precisa decidir se, e onde, colocar um primeiro agente em uso. Não é uma comparação de ferramentas ou modelos. É sobre o que precisa estar pronto na operação para que o piloto termine em uma decisão, e não em uma impressão.

Agente, automação ou sistema: a diferença que muda o piloto

“Agente” virou um rótulo amplo. Na prática, vale separar três tipos de solução, porque cada um pede um preparo diferente:

  • Automação: executa uma sequência conhecida de passos, com regras fixas. Se o pedido chega completo, ele segue para o próximo sistema. É previsível e fácil de auditar.
  • Sistema sob medida: organiza um processo que ainda não tem ferramenta adequada, com telas, perfis, regras de cálculo e painéis.
  • Agente de IA: interpreta uma pergunta ou uma situação em linguagem natural, consulta fontes e escolhe o próximo passo dentro de limites definidos. Faz sentido quando a entrada varia e quando parte do trabalho é entender o que está sendo pedido.

Muitos problemas apresentados como “caso para agente” se resolvem com automação ou com regras bem escritas. Isso não é um fracasso do projeto de IA; é um bom diagnóstico. E, quando o agente é mesmo a resposta, ele costuma depender dessas mesmas regras e integrações para funcionar.

Por que pilotos de agentes param no teste

Os motivos costumam ser menos técnicos do que parecem:

  • o processo não tem dono, e ninguém responde por dizer se o agente acertou;
  • os dados estão espalhados entre planilhas, sistemas e conversas, e o agente enxerga só uma parte deles;
  • não existe referência de comparação, porque ninguém mediu quanto tempo ou retrabalho o fluxo exige hoje;
  • o limite de ação não foi definido, então ninguém se sente seguro para deixar o agente fazer algo além de responder.

Todos esses pontos podem ser tratados antes do piloto. Os tópicos a seguir organizam essa preparação.

1. Escolha um fluxo, não uma área

“Usar IA no comercial” não é um escopo. “Identificar pedidos com margem abaixo do esperado, a partir das vendas e dos custos do mês” é. Um bom primeiro fluxo tem começo e fim claros, acontece com frequência suficiente para ser observado durante o piloto e tem um responsável que sente o problema no dia a dia.

Para comparar candidatos, quatro perguntas ajudam:

  • Impacto: se o fluxo ficar mais rápido ou mais confiável, o que muda para o negócio? Receita, capacidade, custo ou risco?
  • Viabilidade: as informações necessárias existem e estão acessíveis?
  • Risco: qual é o custo de uma resposta errada? Começar onde o erro é visível e corrigível reduz a exposição.
  • Dono: quem vai acompanhar o uso e dizer se o resultado serve?

Um fluxo de alto impacto, mas sem dados acessíveis, costuma ficar melhor na segunda etapa do que na primeira.

2. Dados e acessos: o agente só sabe o que consegue consultar

Um agente responde com base nas fontes a que tem acesso. Se os descontos e as devoluções estão numa planilha que não entrou na integração, a resposta sobre margem sai incompleta, e pode parecer completa. Antes do piloto, vale listar:

  • quais fontes o fluxo usa de fato hoje, inclusive as informais;
  • quem responde por cada fonte e com que frequência ela é atualizada;
  • quais dados são sensíveis e quem pode vê-los;
  • o que o agente deve fazer quando falta informação: avisar, perguntar ou encaminhar para uma pessoa.

Na Rodomilk, o ponto de partida era esse: custo e margem estavam dispersos entre planilhas e controle em papel. A Magical integrou um agente de IA às bases operacionais e financeiras da transportadora, e a gestão passou a consultar custos e margens de uma frota de 25 caminhões em linguagem natural. A consulta só é útil porque as bases estão conectadas; sem essa etapa, o agente responderia sobre uma parte da operação.

3. Integração com sistemas: consultar é diferente de agir

A pergunta mais importante sobre integração não é “com quais sistemas o agente conversa”, e sim “o que ele pode fazer em cada um”. Há uma diferença grande entre:

  • ler dados do ERP, do CRM ou do TMS para responder a uma pergunta;
  • preparar um registro, uma proposta ou uma cotação para uma pessoa revisar;
  • gravar ou alterar informações diretamente no sistema.

Em um primeiro piloto, ler e preparar costumam bastar para mostrar valor com risco menor. A compatibilidade com cada sistema (acessos, permissões, formato dos dados) precisa ser verificada antes de entrar no escopo, e não no meio da implementação.

As regras de negócio entram aqui também. Um agente que monta uma proposta precisa de regras de preço, impostos e margem escritas de forma explícita. Na RBR Transportes, a solução foi um TMS sob medida, e não um agente: peso cubado, impostos, taxas, comissão e margem passaram a ser calculados no mesmo fluxo, e uma cotação que exigia cerca de 30 minutos em planilhas passou a ser gerada em segundos. O exemplo mostra o que precisa existir antes de qualquer agente: se as regras só vivem na cabeça de quem cota, nenhuma solução vai aplicá-las com consistência.

4. Revisão humana e governança: limites definidos antes de começar

Num piloto, governança não precisa começar como um comitê ou uma política extensa. Precisa começar como respostas concretas, escritas no escopo:

  • quais ações o agente pode executar sozinho e quais exigem aprovação;
  • quando o caso passa para uma pessoa: falta de dado, valor acima de uma alçada, pedido fora do escopo;
  • quem revisa as respostas durante o piloto, e com que frequência;
  • como exceções e erros são registrados para ajustar o agente;
  • onde os dados ficam, quais fornecedores estão envolvidos e quem mantém a solução depois do piloto.

Decisões comerciais sensíveis, como desconto, condição de pagamento ou aceite de qualidade, devem seguir as alçadas que a empresa já tem. O agente pode reunir as informações e preparar a decisão; a responsabilidade continua com quem já responde por ela.

Da fonte à ação, com limites definidos
  1. Fontes autorizadas

    Dados disponíveis e permissões de acesso verificadas.

  2. Agente prepara

    Consulta as fontes e organiza uma resposta ou proposta.

  3. Pessoa revisa

    Decide nos casos sensíveis, nas exceções e quando faltam dados.

  4. Ação permitida

    A execução segue o escopo e as alçadas acordadas.

Informação ausente ou pedido fora do escopo volta para esclarecimento. Preparar não significa ter permissão para gravar no sistema.

5. Como definir sucesso antes de começar

Um piloto sem critério combinado termina em opinião. Antes de começar, registre:

  • Referência inicial: quanto tempo, retrabalho ou esforço o fluxo exige hoje, medido do mesmo jeito que será medido depois.
  • Indicador principal: uma ou duas medidas ligadas ao problema que justificou o piloto, como tempo de resposta, retrabalho ou volume atendido pela mesma equipe.
  • Qualidade: como verificar se as respostas estão corretas, com uma amostra revisada por quem conhece o processo.
  • Uso: se as pessoas recorrem ao agente no dia a dia ou voltam ao caminho antigo.
  • Decisão: qual resultado justifica ajustar, expandir para outra frente ou encerrar.

Separe também o que foi observado do que é projeção. Uma estimativa de economia anual pode ajudar a priorizar, mas só vira resultado quando é medida na operação. Relacione o tempo liberado à capacidade, ao custo por atendimento, à margem ou à receita quando for mensurável; horas liberadas não são automaticamente economia de caixa.

O piloto termina em uma decisão
  1. Medir antes

    Registrar a referência e os critérios de sucesso.

  2. Testar um fluxo

    Observar o uso em um escopo delimitado.

  3. Comparar

    Avaliar qualidade, tempo, retrabalho e adoção.

  4. Decidir

    Ajustar o piloto, expandir ou encerrar.

Ao ajustar, volte ao teste com critérios claros. Expandir depende da evidência e de avaliar as dependências da próxima frente.

O que evitar no primeiro piloto

  • começar pela ferramenta antes de escolher o fluxo;
  • escolher o processo mais crítico da empresa como primeiro teste;
  • deixar o agente gravar em sistemas antes de validar a qualidade das respostas;
  • medir só a satisfação de quem testou, sem referência de tempo, erro ou volume;
  • expandir para outras áreas antes de o primeiro fluxo ter uma decisão clara;
  • tratar uma demonstração bem-sucedida como prova de que a operação está pronta.

Seis perguntas para a conversa interna

Se a sua empresa está decidindo por onde começar, estas perguntas ajudam a organizar a conversa interna antes de envolver qualquer fornecedor:

  1. Qual fluxo, com começo e fim, queremos melhorar?
  2. Quem é o dono desse fluxo e quem vai revisar o resultado?
  3. Quais dados o fluxo usa e onde eles estão?
  4. O que o agente poderá ler, preparar e gravar?
  5. Em que situações uma pessoa precisa decidir?
  6. O que medimos hoje, e o que precisaria mudar para valer a pena continuar?

Na Magical, o trabalho segue essa lógica: começa por uma conversa sobre a operação, escolhe com a empresa a oportunidade mais acionável, define um piloto em uma frente e usa a avaliação para decidir se vale ajustar, expandir ou encerrar. As etapas estão descritas em como a Magical implementa IA, e o tipo de agente que construímos está em agentes de IA para empresas.

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